«(…) A par das «carrancas» e dos «ferros», há ainda a interessar nas fachadas os esgrafitos, desenhos a ponteiro ou a colhér de alvenel na parede ainda fresca, relevando o material e destacando-o do fundo pela cor. Há lindos modelos em Évora; alguns datados. Em S. Brás, no Palácio da Inquisição, defronte da Sé, no Pateo de S. Miguel, em muitas casas vulgares, da praça, da Porta Nova e doutros locais da cidade, há esgrafitos em frisos, aventais e sôbrejanelas. Os de fundo cinzento são os mais bonitos. Este fácil motivo ornamental que se presta a decorações de casas humildes, deve ter sido imitado de Itália. Em Évora mantem-se apenas o esgrafito popular, e os modelos repetem-se. O esgrafito erudito desapareceu. Os do palácio defronte da Sé [link] têm a data de 1637 [na verdade a data é 1673]; são os mais antigos da cidade. (…)»
Matos Sequeira, Alberto Souza – Évora, [Lisboa], Empresa Nacional de Publicidade, 193?, pp. 27-28.
A bibliografia deste assunto resume-se, tanto quanto sei, a estes dois trabalhos:
Mónica Charrua – Estuques e Esgrafitos de Évora, s.l., DGEMN, 1992.
Sofia Guilherme – As Superfícies Arquitectónicas de Évora: o esgrafito. Contributos para a sua salvaguarda [texto policopiado], Évora, tese de mestrado em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico, Universidade de Évora, 2005.
Alguma informação adicional sobre este tema (cidade de Évora e região do Alentejo), esparsa e pouco sistematizada, pode ser encontrada nos trabalhos do historiador de arte Túlio Espanca, ou em publicações periódicas dos extintos IPPAR e DGEMN.
O esgrafito «erudito» (particularmente o dos sécs. XVI e XVII) ainda não foi estudado com a minúcia devida. O que subsiste, ao contrário daquele que povoa as fachadas do centro histórico de Évora, muitas das vezes está escondido por camadas de cal, no interior de edifícios religiosos, ou dele apenas resta a memória em fontes documentais. Utilizado na ornamentação (relativamente barata) de altares, colunas e tectos de igrejas, ou em espaços conventuais (refeitórios por ex.), foi gradualmente substituído por pintura mural e/ou talha dourada (sécs. XVII e XVIII) e relegado para a uma posição secundária, na decoração exterior de edifícios civis.
Comentários Recentes
Caro/a anónimo/a obrigado pela dica.
Faço aq
Isto uma notícia de um bu
Viva!!
infelizmente há algum
:))
Atentamente<